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Direitos de uso de conteúdo UGC: o que precisa estar no contrato

A maior parte dos problemas entre marcas e creators UGC nasce de um contrato que não existe ou que não diz onde, por quanto tempo e como o vídeo pode ser usado. Este guia explica o que a marca compra quando contrata um vídeo UGC, o que a lei brasileira exige, quais cláusulas precisam estar no contrato e como uma plataforma registra tudo isso em cada entrega. Não substitui a orientação de um advogado; serve para você saber o que pedir.

Por Pedro Del Valle, Founder e CEO da Conty5 min de leitura

O que a marca compra em um vídeo UGC

Quando um creator grava um vídeo aparecendo, falando ou usando a própria voz, ele faz duas cessões diferentes ao mesmo tempo. A primeira é sobre a obra: o vídeo é uma criação protegida por direito autoral, e a marca precisa de licença para usá-lo. A segunda é sobre a imagem: o rosto, a voz e o nome da pessoa são direitos de personalidade, e usá-los em publicidade exige autorização específica. Um contrato de UGC precisa cobrir as duas.

Sem contrato, a regra é restritiva. A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610, artigo 49) exige contrato escrito para transmissão total e definitiva, limita a cessão ao território do país quando o documento não diz outra coisa e determina que, se a modalidade de uso não estiver especificada, a interpretação é restritiva. Na prática: se o contrato não diz que o vídeo pode ir para anúncio, a marca não deve usá-lo em anúncio.

As cláusulas que não podem faltar

  1. Objeto. O que está sendo entregue: número de vídeos, formato, duração, variações.
  2. Licença de uso da obra. Se é exclusiva ou não, se a marca pode editar, cortar, legendar e combinar com outros materiais.
  3. Autorização de uso de imagem e voz. Explícita, para fins publicitários, com os mesmos limites de canais, prazo e território da licença.
  4. Canais. Onde a marca pode publicar: redes sociais orgânicas da marca, mídia paga (Instagram, TikTok, YouTube, Google), site, e-mail, marketplaces, materiais impressos, TV. Liste; não escreva "qualquer mídia" sem combinar o preço correspondente.
  5. Prazo. Por quanto tempo a marca pode usar o vídeo. Seis meses e doze meses são os prazos mais comuns para mídia paga; uso orgânico costuma ser mais longo. Sem prazo, a cessão pode ser lida como indefinida, e isso precisa estar precificado.
  6. Território. Brasil ou mundial. A lei presume o país se o contrato não disser.
  7. Exclusividade. Se o creator pode gravar para concorrentes e por quanto tempo. Exclusividade tem preço.
  8. Portfólio. Se o creator pode mostrar o vídeo no próprio portfólio e nas redes dele.
  9. Remuneração e condições de pagamento. Valor, forma, prazo e o que acontece se a marca não usar o vídeo.
  10. Aprovação e revisões. Quantas rodadas de ajuste e quem aprova.
  11. Menção de publicidade. Quando o creator publica no próprio perfil, a peça precisa ser identificada como publicidade, conforme as regras do Conar e da plataforma.

Quanto custam os direitos de uso

Direitos de uso são o fator que mais muda o preço de um vídeo UGC. O valor base costuma incluir uso orgânico nas redes da marca por um período. Uso em mídia paga é cobrado à parte, muitas vezes por mês de veiculação, e uso por prazo indefinido, em qualquer canal e território, é o mais caro. Combinar isso no briefing, antes da entrega, custa menos do que negociar depois. As faixas estão no guia quanto custa um vídeo UGC.

NívelCanaisPrazo típicoImpacto no preço
OrgânicoRedes sociais da marca12 meses ou maisIncluído no valor base
Mídia pagaAnúncios em redes e Google3, 6 ou 12 mesesAdicional, muitas vezes por mês
AmpliadoSite, e-mail, marketplaces, impresso12 mesesAdicional
TotalQualquer canal, prazo indefinido, mundialIndefinidoO mais alto; exige contrato escrito
Níveis de licença mais comuns em contratos de UGC

Erros que geram disputa

  • Combinar por mensagem. Uma troca de mensagens no direct raramente cobre canais, prazo e território. Vale como indício, não como contrato completo.
  • Usar o vídeo em anúncio sem licença para mídia paga. É o caso mais comum de reclamação de creators, e o que mais expõe a marca.
  • Manter o anúncio no ar depois do prazo. Configure a data de fim nas campanhas de mídia e revise os criativos ativos.
  • Editar o vídeo de forma que mude o sentido. Cortes e legendas que alteram o que o creator disse podem violar direitos morais do autor.
  • Não identificar a publicidade. Quando o creator publica, a ausência da marcação de conteúdo pago é problema para os dois.

Como uma plataforma resolve isso

Em uma plataforma de UGC, os direitos de uso fazem parte do briefing da campanha e o creator aceita as condições ao se candidatar. Cada entrega aprovada fica registrada com o vídeo, a data, o valor pago e os termos, e a marca tem um histórico auditável. Na Conty, o contrato e os direitos de imagem ficam vinculados a cada entrega aprovada, e o pagamento só é liberado depois da aprovação. Isso reduz a chance de disputa e elimina a negociação caso a caso.

Para o creator: o que olhar antes de aceitar

Se você é creator, leia canais e prazo antes do valor. Um vídeo por R$ 300 com uso orgânico por doze meses é uma coisa; o mesmo vídeo por R$ 300 com uso total e indefinido é outra. Peça que uso em mídia paga, exclusividade e prazo indefinido sejam cobrados à parte, e guarde o registro do que foi combinado. O guia o que é UGC explica como o mercado funciona do lado do creator.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre direitos de uso de UGC

Quem é o dono do vídeo UGC, a marca ou o creator?

O creator é o autor da obra e o titular da própria imagem. A marca recebe uma licença de uso nos termos do contrato: canais, prazo e território. Sem contrato escrito, a interpretação da lei é restritiva e favorece o creator.

Preciso de contrato para usar um vídeo UGC em anúncio?

Sim. Uso em mídia paga é uma modalidade específica e precisa estar autorizada por escrito, com prazo. A Lei 9.610 determina interpretação restritiva quando a modalidade de uso não está especificada.

Por quanto tempo a marca pode usar o conteúdo UGC?

Pelo prazo definido no contrato. Os mais comuns são seis e doze meses para mídia paga e prazos mais longos para uso orgânico. Sem prazo definido, o uso pode ser lido como indefinido e precisa ser precificado como tal.

O que é cessão de direitos de imagem em UGC?

É a autorização do creator para que a marca use o rosto, a voz e o nome dele em publicidade, nos canais, prazo e território combinados. É separada da licença sobre o vídeo como obra.

A marca pode editar o vídeo do creator?

Se o contrato permitir. Cortes, legendas e combinação com outros materiais devem estar autorizados, e edições que mudem o sentido do que o creator disse podem violar direitos morais do autor.

Como a Conty registra os direitos de uso?

Os direitos de uso fazem parte do briefing da campanha e o creator aceita as condições ao se candidatar. Cada entrega aprovada fica registrada com vídeo, data, valor e termos, e o pagamento é liberado depois da aprovação.

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